terça-feira, 28 de setembro de 2010

Caminho junto à morte
Com medo do meu futuro
Guardando, no coração, a saudade
De uma doce criança com suas lembranças

Explosões de sentimentos
Afloram em meu coração
Vivo intensamente o momento
Para depois, tudo virar recordação.

Pedro Alcamand Mota

Mundo Perfeito


Parecido com o grito da adolescência
Um sentimento vago que irrita
Não existe um motivo determinado
Só que não quero ficar neste lugar

Este vazio vêm de onde e vai para onde
É um pouco diferente da tristeza
O vento que sopra dentro do buraco aberto no coração
É frio e dói

Não sei o caminho para a felicidade
Mas queria ir para algum lugar distante
O sentimento que não se completa se repete várias vezes
Ultrapassa, como se estivesse com pressa de viver

No fim da escuridão, na sentença de luz
Um coração onde a maldade e a bondade moram juntas
Qualquer um possui fraquezas que não dão para esconder completamente com belas palavras

Vamos supor que pudesse realizar um desejo
E, obtivesse o mundo do jeito que imaginei
Logo após reclamaria que algo estaria faltando
E transportaria meus sentimentos para outro lugar, sem ser esse

Após a névoa, o que há é o mundo que sonhei?
A verdadeira força é ir para lá?
Ao chegar lá, a tristeza irá sumir?

Dentro das incertezas, encontro com uma certeza
A flor que floresce aos meus pés
Finca profundamente a raiz neste lugar

Não sei o caminho para a felicidade
Mas queira ir para um lugar distante
O sentimento que não se completa se repete várias vezes
Ultrapasso, ultrapasse o que já sabe

Independente de onde eu vá
O fato de só poder ser eu mesmo
Parece com algum tipo de filosofia
Vou viver com determinação
Enquanto tiver vida.

Pedro Alcamand Mota

sábado, 18 de setembro de 2010

O espelho vermelho

Seu véu caia sobre seus cabelos sedosos, como como se de nuvem, aquilo fosse feito. Estava arrumada, no vestido, sufocada. Sua maquiagem, suave, como gostava. Unhas pintadas. Cabelos arrumados. Apenas sua mente estava desarrumada. A moça oscilava no pra sempre, como sempre, não sabia o que queria. Não queria aquele sorriso falso para todo o sempre.
Era insegura desde pequena, não sabia se queria o novo modelo da Barbie no Castelo de Diamantes ou se queria aquele carro cor de rosa que tocava musiquinhas. Na adolescência, não sabia se o salto de camurça preto era mais belo que o sapato de verniz. Seu maior problema não era esse, e sim, o poder de escolher os dois. Seu pai era um dono de uma grande empresa, viajava toda a semana, nunca deu atenção a sua pequena e doce filha. O único modo que o poderoso chefão achou para preencher aquele rancor e tristeza. que acumulou-se pela ausência de sua presença, foi através de brinquedos, roupas, cartões de crédito e tudo que envolvesse capital. Foi uma menina criada com dificuldade, uma menina que não precisava escolher.
Estava lá, no dia 11 de setembro, mesmo dia do grande atentado aos Estados Unidos, sentada no banheiro com a porta trancada, chorando compulsivamente. Em algumas horas um anel entraria em seu dedo e selaria um pacto com um homem que ela não sabia se amava de verdade. Chorava de ódio, por sua infância, por tudo o que fizera, por não saber o que fazer. Sua maquiagem fora se desfazendo, os grampos de seu lindo cabelo foram soltando e o maldito vestido branco estava a sufocando. Estava sufocada, não só pelo vestido, mas por si mesma. A moça nunca teve fé, mas naquele momento, rezava para todos os santos que ouvira sua empregada dizendo. ''Por favor meu Deus, me dê uma luz! Diga-me o que eu faço'' dizia toda vez que conseguia parar de soluçar. Queria um modo de sair daquela sinuca, sem machucar o homem e sem se machuca. Não encontrara resposta lúcida para aquela questão. O choro se calou.
Após umas duas horas, sentiram a falta da noiva. Perceberam a porta trancada, ninguém respondia. Bateram e gritaram o nome da moça, ainda ninguém respondera. Resolveram arrombar a porta. O noivo, nervoso e irritado, jogou seu corpo contra a porta uma, duas, três vezes. A porta se abriu. Viram ela deitada no chão, com os cabelos bagunçados e a pele pálida, ao lado de uma poça de sangue. Um fundo corte no pescoço, foi assim que terminou. A mulher, a frágil menina, ficou louca dentro daquele cubículo, quebrou o espelho com sua mão e, com um afiado caco de vidro, matou-se enquanto chorava.

Pedro Alcamand Mota

quinta-feira, 9 de setembro de 2010


Sua face anda escondida ultimamente
Não o reconheço
Não me reconheço
Acho que não quero reconhecer.

Pedro Alcamand Mota

domingo, 5 de setembro de 2010

A Essência


Estavam sentados, cada um de seu jeito, em uma enorme sala. Um estava deitado, olhando para o teto, com uma manta vermelha e um turbante amarelado, descalço. O outro, sentado como um imperador, estava com uma túnica branca e um livro em sua mão, todo preto. O terceiro, sentado com as pernas cruzadas, estava nu, apenas com a almofada que encontrara tampando suas partes.
Ambos eram velhos, sábios e com fortes argumentos. Sabiam o que falar.
O mais velho, levantou-se e disse:
- Nos situamos aqui por apenas uma razão, queremos saber quem é o melhor. Queremos reconhecer que, entre nós, há o mais sábio, o mais fundamental.
Todos se olharam. Começaram a elaborar seus argumentos, cada um com seu estilo próprio, até que o primeiro, o mais jovem, resolveu levantar-se e falar:
- Como já lhe são de conhecimento, me chamo Amor. Sou aquele que cruza os destinos das pessoas, aquele que traz o sorriso para o rosto daqueles que se amam. Não sou apenas o amor dos apaixonados, mais que isso, sou o amor de um pai com seu filho, de um animal com seu dono, sou o gostar exacerbado. Definitivamente, sou o melhor de todos aqui. Sim, sou o mais novo, mas sou o que mais gera alegria, o que mais fica lembrado no coração daqueles que já me usaram ou me usam. Por isso eu me acho melhor, sou aquele que traz alegria à todos. E a alegria é o que faz a pessoa.
O homem nu se levanta e protesta:
- Como você pode dizer que é o melhor entre nós? Dizer que o amor só traz a alegria está muito errado, meu caro. A felicidade de um amor não correspondido, de um amor que acabou, de um amor com espinhos, acaba. O que sobra é o sofrimento.
Muito prazer, eu sou a alma. Sou aquela que todos tem, que ninguém vive sem. Sou aquela que faz com que todos sintam, sofram, vivam. Sou insubstituivel, única. Isso é ser a melhor de todas. É fazer com que os outros não vivam sem você, que precisem de você o tempo inteiro. Definitivamente, eu sou a melhor.
O mais velho fechou seu livro, olhou para todos, acendeu seu cachimbo e iniciou sua fala:
- Como sabes, minha cara alma, que todos tem a você? Como sabes, ainda, que todos prezam você? Não me apresentei ainda: Sou a morte. Sim, sou aquela que tira a vida dos outros, que faz com que elas percam suas almas. Sou a única coisa que as pessoas tem certeza no mundo. Sim, eu sou a melhor. Sou a melhor por fazer com que elas me admirem e me temam.
O silêncio predominou a sala, todos estavam pensando no que dizer agora. Seus argumentos não eram o bastante para destruir um ao outro.
A porta se abriu, uma sombra foi se formando, se transformando em uma linda mulher, nova, com um belo vestido turquesa e uma coroa de flores em sua linda cabeleira ruiva. Ternamente, a bela mulher olhou para os velhos rabugentos e falou:
- Meus caros senhores, não gastem palavras com coisas tolas. Ao menos vocês sabem o que são?
Todos fizeram que sim com a cabeça. O mais jovem ia falar, mas a doce mulher iniciou mais uma vez:
- Vocês sabem que o amor é mais do que apenas gostar? Vocês sabem que a alma é muito mais do que a rasão e a emoção? Vocês sabem que a morte é muito mais do que parar o coração? E, o mais importante, vocês sabem que a união de vocês três forma o que há de mais importante no mundo?
- E o que há de mais importante no mundo? disse rapidamente o jovem, curioso.
- Sou eu, a vida. Sem vocês eu não existiria. Suas combinações menos individualistas formam a perfeição. E que não sou eu, e sim, o homem.

Pedro Alcamand Mota.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

O Milagre da Velocidade


Sofismas não trarão de volta o tempo perdido
Sofismas não retardarão o tempo que perderá
É como se perder na rotina, um abortado
É como se, de razão, vivessem os loucos

Falem de liberdade aos pobres de espírito
Falem da luz, aos que vivem nas sombras
Falem de poesia aos que desconhecem a paz
O homem é quem faz a glória e o milagre

Lucas Boaventura