quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Blog oficialmente desativado

Sinto-lhes informar que não postarei mais aqui. Mudei meu endereço de blog para http://fronteiradoinfinito.blogspot.com/ , junto com alguns amigos meus.

Grato pela atenção,
Pedro Alcamand Mota

Essa flor já estava murcha
Se despedaçou
Estava cansada deste mundo
Foi embora
Mas aquele doce perfume
Sempre estará no seu coração



-À Lygia, luto.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Simplesmente você


Quando olho em teus olhos
Sinceramente, fico tímido
Feliz por estar olhando-os
Tranquilo, por ter você aqui

Quando estou em seus braços
Sinto-me seguro
Sei que o resto não importa mais
E, simplesmente, fico no momento

Quando você não está aqui
Fecho meus olhos e vejo
Aqueles olhos tranquilos
Que me dão segurança

Vejo apenas
Sinto apenas
Desejo apenas
Você, eternamente!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Caminho junto à morte
Com medo do meu futuro
Guardando, no coração, a saudade
De uma doce criança com suas lembranças

Explosões de sentimentos
Afloram em meu coração
Vivo intensamente o momento
Para depois, tudo virar recordação.

Pedro Alcamand Mota

Mundo Perfeito


Parecido com o grito da adolescência
Um sentimento vago que irrita
Não existe um motivo determinado
Só que não quero ficar neste lugar

Este vazio vêm de onde e vai para onde
É um pouco diferente da tristeza
O vento que sopra dentro do buraco aberto no coração
É frio e dói

Não sei o caminho para a felicidade
Mas queria ir para algum lugar distante
O sentimento que não se completa se repete várias vezes
Ultrapassa, como se estivesse com pressa de viver

No fim da escuridão, na sentença de luz
Um coração onde a maldade e a bondade moram juntas
Qualquer um possui fraquezas que não dão para esconder completamente com belas palavras

Vamos supor que pudesse realizar um desejo
E, obtivesse o mundo do jeito que imaginei
Logo após reclamaria que algo estaria faltando
E transportaria meus sentimentos para outro lugar, sem ser esse

Após a névoa, o que há é o mundo que sonhei?
A verdadeira força é ir para lá?
Ao chegar lá, a tristeza irá sumir?

Dentro das incertezas, encontro com uma certeza
A flor que floresce aos meus pés
Finca profundamente a raiz neste lugar

Não sei o caminho para a felicidade
Mas queira ir para um lugar distante
O sentimento que não se completa se repete várias vezes
Ultrapasso, ultrapasse o que já sabe

Independente de onde eu vá
O fato de só poder ser eu mesmo
Parece com algum tipo de filosofia
Vou viver com determinação
Enquanto tiver vida.

Pedro Alcamand Mota

sábado, 18 de setembro de 2010

O espelho vermelho

Seu véu caia sobre seus cabelos sedosos, como como se de nuvem, aquilo fosse feito. Estava arrumada, no vestido, sufocada. Sua maquiagem, suave, como gostava. Unhas pintadas. Cabelos arrumados. Apenas sua mente estava desarrumada. A moça oscilava no pra sempre, como sempre, não sabia o que queria. Não queria aquele sorriso falso para todo o sempre.
Era insegura desde pequena, não sabia se queria o novo modelo da Barbie no Castelo de Diamantes ou se queria aquele carro cor de rosa que tocava musiquinhas. Na adolescência, não sabia se o salto de camurça preto era mais belo que o sapato de verniz. Seu maior problema não era esse, e sim, o poder de escolher os dois. Seu pai era um dono de uma grande empresa, viajava toda a semana, nunca deu atenção a sua pequena e doce filha. O único modo que o poderoso chefão achou para preencher aquele rancor e tristeza. que acumulou-se pela ausência de sua presença, foi através de brinquedos, roupas, cartões de crédito e tudo que envolvesse capital. Foi uma menina criada com dificuldade, uma menina que não precisava escolher.
Estava lá, no dia 11 de setembro, mesmo dia do grande atentado aos Estados Unidos, sentada no banheiro com a porta trancada, chorando compulsivamente. Em algumas horas um anel entraria em seu dedo e selaria um pacto com um homem que ela não sabia se amava de verdade. Chorava de ódio, por sua infância, por tudo o que fizera, por não saber o que fazer. Sua maquiagem fora se desfazendo, os grampos de seu lindo cabelo foram soltando e o maldito vestido branco estava a sufocando. Estava sufocada, não só pelo vestido, mas por si mesma. A moça nunca teve fé, mas naquele momento, rezava para todos os santos que ouvira sua empregada dizendo. ''Por favor meu Deus, me dê uma luz! Diga-me o que eu faço'' dizia toda vez que conseguia parar de soluçar. Queria um modo de sair daquela sinuca, sem machucar o homem e sem se machuca. Não encontrara resposta lúcida para aquela questão. O choro se calou.
Após umas duas horas, sentiram a falta da noiva. Perceberam a porta trancada, ninguém respondia. Bateram e gritaram o nome da moça, ainda ninguém respondera. Resolveram arrombar a porta. O noivo, nervoso e irritado, jogou seu corpo contra a porta uma, duas, três vezes. A porta se abriu. Viram ela deitada no chão, com os cabelos bagunçados e a pele pálida, ao lado de uma poça de sangue. Um fundo corte no pescoço, foi assim que terminou. A mulher, a frágil menina, ficou louca dentro daquele cubículo, quebrou o espelho com sua mão e, com um afiado caco de vidro, matou-se enquanto chorava.

Pedro Alcamand Mota

quinta-feira, 9 de setembro de 2010


Sua face anda escondida ultimamente
Não o reconheço
Não me reconheço
Acho que não quero reconhecer.

Pedro Alcamand Mota

domingo, 5 de setembro de 2010

A Essência


Estavam sentados, cada um de seu jeito, em uma enorme sala. Um estava deitado, olhando para o teto, com uma manta vermelha e um turbante amarelado, descalço. O outro, sentado como um imperador, estava com uma túnica branca e um livro em sua mão, todo preto. O terceiro, sentado com as pernas cruzadas, estava nu, apenas com a almofada que encontrara tampando suas partes.
Ambos eram velhos, sábios e com fortes argumentos. Sabiam o que falar.
O mais velho, levantou-se e disse:
- Nos situamos aqui por apenas uma razão, queremos saber quem é o melhor. Queremos reconhecer que, entre nós, há o mais sábio, o mais fundamental.
Todos se olharam. Começaram a elaborar seus argumentos, cada um com seu estilo próprio, até que o primeiro, o mais jovem, resolveu levantar-se e falar:
- Como já lhe são de conhecimento, me chamo Amor. Sou aquele que cruza os destinos das pessoas, aquele que traz o sorriso para o rosto daqueles que se amam. Não sou apenas o amor dos apaixonados, mais que isso, sou o amor de um pai com seu filho, de um animal com seu dono, sou o gostar exacerbado. Definitivamente, sou o melhor de todos aqui. Sim, sou o mais novo, mas sou o que mais gera alegria, o que mais fica lembrado no coração daqueles que já me usaram ou me usam. Por isso eu me acho melhor, sou aquele que traz alegria à todos. E a alegria é o que faz a pessoa.
O homem nu se levanta e protesta:
- Como você pode dizer que é o melhor entre nós? Dizer que o amor só traz a alegria está muito errado, meu caro. A felicidade de um amor não correspondido, de um amor que acabou, de um amor com espinhos, acaba. O que sobra é o sofrimento.
Muito prazer, eu sou a alma. Sou aquela que todos tem, que ninguém vive sem. Sou aquela que faz com que todos sintam, sofram, vivam. Sou insubstituivel, única. Isso é ser a melhor de todas. É fazer com que os outros não vivam sem você, que precisem de você o tempo inteiro. Definitivamente, eu sou a melhor.
O mais velho fechou seu livro, olhou para todos, acendeu seu cachimbo e iniciou sua fala:
- Como sabes, minha cara alma, que todos tem a você? Como sabes, ainda, que todos prezam você? Não me apresentei ainda: Sou a morte. Sim, sou aquela que tira a vida dos outros, que faz com que elas percam suas almas. Sou a única coisa que as pessoas tem certeza no mundo. Sim, eu sou a melhor. Sou a melhor por fazer com que elas me admirem e me temam.
O silêncio predominou a sala, todos estavam pensando no que dizer agora. Seus argumentos não eram o bastante para destruir um ao outro.
A porta se abriu, uma sombra foi se formando, se transformando em uma linda mulher, nova, com um belo vestido turquesa e uma coroa de flores em sua linda cabeleira ruiva. Ternamente, a bela mulher olhou para os velhos rabugentos e falou:
- Meus caros senhores, não gastem palavras com coisas tolas. Ao menos vocês sabem o que são?
Todos fizeram que sim com a cabeça. O mais jovem ia falar, mas a doce mulher iniciou mais uma vez:
- Vocês sabem que o amor é mais do que apenas gostar? Vocês sabem que a alma é muito mais do que a rasão e a emoção? Vocês sabem que a morte é muito mais do que parar o coração? E, o mais importante, vocês sabem que a união de vocês três forma o que há de mais importante no mundo?
- E o que há de mais importante no mundo? disse rapidamente o jovem, curioso.
- Sou eu, a vida. Sem vocês eu não existiria. Suas combinações menos individualistas formam a perfeição. E que não sou eu, e sim, o homem.

Pedro Alcamand Mota.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

O Milagre da Velocidade


Sofismas não trarão de volta o tempo perdido
Sofismas não retardarão o tempo que perderá
É como se perder na rotina, um abortado
É como se, de razão, vivessem os loucos

Falem de liberdade aos pobres de espírito
Falem da luz, aos que vivem nas sombras
Falem de poesia aos que desconhecem a paz
O homem é quem faz a glória e o milagre

Lucas Boaventura

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Mudar a perspectiva de vida assim
É uma coisa que dói em minh’alma
Não posso mais ser quem eu era
Não posso agir como eu sou

Andando vendado sobre cacos de vidro
Indo diretamente para o abismo
Finjo não sentir essa dor
E continuo meu caminho

Vou continuar sendo eu mesmo
Vou continuar sendo forte
Vivendo nesses dias selvagens
Com um sorriso no rosto.

Pedro Alcamand Mota.

domingo, 29 de agosto de 2010


Esse mundo selvagem
Está nos deixando cada vez mais loucos
O lema agora é matar para viver
Mas eu não vou ser assim

Gritarei à todos os cantos do mundo
Falarei em todas as línguas
Vou formar um exército da paz
Usando armas de amor e balas de igualdade

Pedro Alcamand Mota.

domingo, 22 de agosto de 2010


Somos todos atores, fantoches do mundo
Vivemos presos em risos de solidão
Em flores de dor
E em livros de trevas.

Pedro Alcamand Mota



quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Duas caras de um mesmo amor

Ele queria um paletó caqui, ela um longo vermelho de um estilista caro. Na verdade, o que ele queria mesmo era o status que aquele paletó o dava. Um ar de senhor importante, mesmo não tendo nem onde cair morto! Gostava de Bossa Nova publicamente, mas sozinho preferia um Tango de Gardel. Torcia mais contra o Félix Esporte Clube que a favor do seu tão amado Regione, torcedor de assiduidade comprovada. Assim era sua vida, uma grande mentira. Um mundo que criara para tentar mostrar o que queria ser quando era pequeno, quando sonhava.

Pediu a mãe que fechasse seu espartilho no máximo, suspirou e prendeu o ar fundo, fez um "vai"com a mão. Pegou um channel de bico fino, lindo, ela pensou. Pegou o chapéu, ela desceu as escadas. Tirou a chave e o relógio de bolso, ela acenou um tchau e mandou um beijo. Olhou as horas e abriu a porta, ela abriu a porta do taxi e entregou um papel ao motorista: "Alameda dos Tupiniquins - 480". Entrou no ônibus com o mesmo destino dela, chegaram juntos.

Rapidamente a moça já estava situada em uma grande sala. O homem havia ficado na rua, degustando seu cigarro, como sempre fazia antes de subir os dois lances de escada.

Por "Erros do Coração" Bette Davis entrou em cena antes dele. A crise da atriz no filme era a mesma da, igualmente atriz, na platéia. Uma fingia ser frente as câmeras e a outra, frente ao espelho. Ele surgiu, ninguém viu. Sentou e ajeitou o quadril na cadeira, olhou pro lado e a viu. O homem reparou a elegante beleza que a mulher propunha para todos. Aqueles cabelos sedosos e aquela boca carnuda faziam com que qualquer homem se apaixonasse. Ele sabia que tudo naquela moça era de verdade e que, com aquele olhar de angústia, ele a invejava com todas as suas forças. Bebeu todas que conseguiu, e as que não desceram, cuspiu. Ficou ali entre a mulher e o copo, optou pelo segundo.

A manhã seguinte não foi muito agradável. Sua cabeça estava doendo muito e a obra que estavam fazendo na frente de sua casa não ajudava em nada. Tomou uns dois ou três comprimidos de um remédio para aliviar sua ressaca. Não funcionou. Naquele dia, o homem ficou deitado o tempo inteiro tentando lembrar do que havia feito na noite passada. Ela levantou bem disposta e bem vestida: camisola de seda, pantufas e um cigarro no caminho para a cozinha. Tomou seu café, pão e leite, como fosse um manjar matutino. Lembrou do homem.

Durante os próximos dias, o homem não saiu de casa. Ficou deitado na mesma posição que estava no dia da ressaca, pensando na linda mulher que vira. Não conseguia deixar de lembrar daquele olhar de canto, meio de despreso, que havia recebido pela mulher. ''Aqueles olhos atiraram em mim como um fuzil'', pensou o homem enquanto fumava. Ela ligou a vritola e colocou Ponteio, com Edu Lobo e Marilia Medalha, cantou com a alma. Ele, deitado.

O homem se revoltou, esclareceu umas poucas e boas com o seu reflexo, gritou tudo o que tinha para gritar e xingou tudo o que tinha para xingar. Depois pegou sua caixa de charutos cubanos retirou um e o acendeu, acalmou-se. Decidiu que o silêncio interno lhe bastava, arrumou meia duzia de palavras, decorou-as e saiu. Saiu de si e de casa, foi. A moça ficou em casa, ouvindo seus LP's olhando as núvens de sua janela. Ela também saiu, sumiu de sua cabeça e foi para outro mundo, um mundo onde esqueceria daqueles olhos angustiados.

A complexidade de um vazio é a entrada de um grão, ambos sabiam. Ambos temiam. Ambos não sabiam amar, não quiseram aprender. Preferiram viver uma vida de solidão e apatia.

Aconteceu que num domingo qualquer ele foi ao parque, ela também. Ele levou um rádio de pilha, ela um livro de Capote. Os dois sentaram na mesma arvore, um de cada lado. O homem ligou seu rádio e a mulher abriu seu livro. O som a incomodou, e foi por isso que eles se encontraram, embora ja tivessem se visto. A moça, um pouco agressiva, foi até o outro lado da arvore e reclamou do barulho que não a deixava ler. O homem ficou sem palávras.

As partes se defaziam pelo todo, estavam entregues. A mulher ficou encarando o homem que não falava nada. Ela não parava de olhar nos olhos dele, olhos de angustia. E ele continuou espantado, sem falar nada. Ela acabou sentando do lado dele. Afinal, o amor é passível de sentido?


Pedro Alcamand Mota e Lucas Boaventura

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Onde a morte vai brincar

Na verdade ele não sabia ao certo o que pensar, sua cabeça girava em órbita enquanto fixava, inerte, o olhar numa folha impressa. A impressão era de que a vida daquele homem havia partido, mas seu coração mantinha, pulsante, o sangue que aquecia seu corpo, frio. Todos os amores, todas paixões, todas transas casuais, todos beijos, todas carícias, tudo passava em seqüência frenética na sua frente. Sua vida já não era passível de sentido, acabou tudo ali, naquelas letras, naquele sangue. A morte-viva que consumia todos os poros do seu corpo, compunha uma caminhada longa e penosa diante da dura amargura do arrependimento.

Ergueu como pôde os olhos, dobrou com cuidado o papel e o guardou no bolso, seguiu. Mas seguir pra onde quando tudo se acaba? A pergunta moldava suas feições: quantas horas, dias ou vidas, dentro desta mesma vida, seriam necessárias para absorver tudo aquilo. Não seriam absorvidas, ele sabia, ele temia, ele chorava. Tirou do bolso um maço, pegou um fino cigarro e o acendeu. Tragou uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove vezes e o jogou fora. Oscilou entre uma nova baixada de cabeça e um telefonema. Optou pelo segundo. Rapidamente o celular já estava em sua mão, o mundo em uma ligação. Ligou. “Alô, a Fernanda está?”, sua voz fria encobria de pura angústia as ondas de voz que dali saíam. Do outro lado da linha, a resposta foi rápida: “Fernanda só sai do serviço as nove e meia, ainda são sete”. Agradeceu e desligou. Verificou a hora e decidiu ir ao encontro da mulher, foi.

Entrou no primeiro ônibus que parou, andaria o que fosse preciso, precisava andar. Ficou de pé logo a frente da porta, olhava cada pessoa que passava pela janela fixamente, desesperadamente. Desceu correndo poucos quarteirões depois, com as mãos na cabeça como num grito de “por quê?”. O celular tocou, era ela. Atendeu com prontidão, embora sua voz desmentisse a euforia que interpretava. Tentou disfarçar a dor, mas o alô já saiu tremido com a lágrimas que, compulsivamente, começaram a brotar. Fernanda entendeu a gravidade da ligação, perguntou onde ele estava e mandou que a esperasse, chegaria o mais rápido possível. E chegou.

Correu por quadras e mais quadras, atravessou dois bairros daquela grande cidade, tudo para fazê-lo sorrir. Virou a esquina da rua Sete de Setembro e o encontrou ali, sentado, petrificado. Colocou um casaco vermelho que sua avó havia feito, sobre os ombros do homem como num abraço simbólico de piedade. Perguntou o que houve, mas por ora a resposta veio líquida.

“Vê...”, ele disse, enquanto esticava o braço para entregar o papel à mulher. Ela leu, sacudiu a cabeça negativamente e exclamou um não, só. Só um não para dispersar toda a dor daquilo, toda morte, raiva, desgosto, perda, enfim tudo que implicava a leitura daquilo. Ela ficou de pé, olhou dentro dos vazios dele e virou. Caminhou, voltou, caminhou, voltou. Sentou, pensou, levantou. “Eles devem ter errado!”, “dizem que esse exame pode dar positivo em algumas pessoas saudáveis...”, desistiu. Acontece que não havia o que falar, era como se tudo tivesse acabado, e realmente acabou. No alto de seus mais altos saltos, ela esfriou o olhar. Se há magia nesse mundo, aquele foi um feitiço de retirada de alma. Um sim no papel, representava um não ao destino. O amor morreria ali, junto à piedade dela e a dor dele. Foi velado em uma rua vazia, por dois corpos vazios

.

Lucas Boaventura

terça-feira, 17 de agosto de 2010


Conte seus problemas,

Eu tenho certeza que te entenderei

Diga-me o que te aflige

Acho que sei o que você pode fazer

Deixe-me segurá-lo entre meus braços,

Aqui você estará seguro, nada te atingirá

Esqueça de seus medos,

E ouça o que te digo com atenção

Não se preocupe com o frio,

Ele é passageiro, ele é inexistente

Ouça o som do silêncio

Calmo e caótico ao mesmo tempo

Não há ninguém aqui...

Responda-me, por que tão surpreso ao saber disso?

Por que acha tão diferente esse vazio do seu lado?

Por que pensou que alguém estaria lá todo o tempo?

E por último: Se ninguém está aí, com quem você está falando?

Deixe-me responder, eu sou o único que pode te dizer o que fazer,

Eu sou o único que estará do seu lado, que chorarei com sua tristeza,

E que vai rir com você na alegria. Eu que te aliviarei de toda a solidão.

Eu sou... Você


Pedro Moreira de Oliveira

segunda-feira, 16 de agosto de 2010


Aqueles belos olhos verdes
Estavam mirando em sua próxima vitima
Procuravam vagamente sobre as mesas do bar
Algo de bom para se aponderar

Aqueles olhos sedutores, quase irresistiveis
Cruéis e malígnos
Estavam prontos para mais uma noite de trapaças
Mergulhada em vinhos caros e charutos cubanos

Para mim, aqueles olhos eram vermelhos
Vermelhos como o sangue que escorre de minha mão
Vermelhos de puro desgosto
Olhos feios, podres e destruidores

Olhos que jamais olharei de novo...

Pedro Alcamand Mota

sábado, 14 de agosto de 2010

Continuamente, sigo os rastros da minha solidão
Indo arduamente à minha própria desilusão
E algumas experiências eu vou deixando para traz
Uma troca inevitável disso tudo acontece

Vou aprendendo a cada passo
Desvio do que acho melhor
E sigo esse caminho friamente, sem pensar
Sem ao menos sentir!

Pedro Alcamand Mota

segunda-feira, 9 de agosto de 2010


Se um dia a indiferença chegar a um ponto inconseqüente
Se um dia a ironia começar a virar banal
Se um dia tudo o que eu construir for uma coisa normal
E a banalidade do meu povo se tornar legal
Eu não saberei onde estou vivendo

Pedro Alcamand Mota

sexta-feira, 6 de agosto de 2010


As palavras já perderam seu sentido
O que era certo não significa mais nada
Então o que era errado não é mais divertido
Agora, tudo se pode mas nada é conquista

A vida se tornou algo fútil, algo explicável
O sentido de não ter sentido se foi
Nada mais era como eu vivi
O que me resta é apenas fumar meu cigarro sozinho

Pedro Alcamand Mota

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Enemies of the routine

Não faço questão de uma vida complicada, de ter que viver fazendo coisas para os outros e esquecendo de mim, desde que eu tenha um lugar para que eu possa, depois de um dia inteiro de aderir ás exigências deste mundo, descansar, ler meus livros, ouvir um pouco de música, pensar e escrever já irei me satisfazer.

Acredito que se eu não tiver o meu momento diário, um momento de parar pra pensar na vida complicada em que todos nós vivemos ficarei irreconhecível, serei mais uma daquelas que já não vive, simplesmente existe e não para pra pensar quando foi a última vez que realmente se divertiu.

Quero ter meu apartamento, música boa um bom caderno e nada mais no fim do dia. Querer viver sozinha pode parecer que tento me esconder, não quero me esconder, quero me ausentar do mundo por instantes, esquecer das pessoas, esquecer da vida e pensar em coisas que irão me fazer rir sozinha... quero ler aquela história e poder me imaginar dentro dela facilmente,vestir uma camiseta velha e comer chocolate vendo meu filme favorito, julgar clipes, comentários, fotos, frases,vídeos, artigos, histórias, matérias, jeitos alheios sem ninguém ao meu lado para direcionar meu julgamento, ou para fazer com que eu tenha medo de dizê-lo.

Não serei uma eterna sedentária, não ficarei até os fins dos meus dias fazendo apenas aquilo que me dá prazer já que infelizmente ou felizmente existe vida por trás de sonho, e vida exige responsabilidades e obrigações que muitas vezes não queremos nem pensar em fazer.Terei um trabalho que me estimule a estar sempre vendo coisas novas, sempre ao lado de novas teorias, sempre criando e vendo alguém criar, para que no fim do dia eu também possa dizer que faço muito bem o que eu faço.

Não quero viver de rotina, rotina é para aqueles que fazem planos demais, para quem não sabe viver sem uma agenda, já nem quero ver planos pra mim feito pelos outros, quero escolher, quero ter o poder de me ditar o que será feito no dia, quero dormir sabendo que fiz o que quis e o que me propus desde o começo.

Viver do que ganho, não querer empréstimos, dirigir até um lugar desconhecido, planejar viagens de um dia para o outro, ter uma roupa para cada dia, ter meus vícios mais saber variá-los...

Ao mesmo tempo em que quero a tranqüilidade depois de uma segunda-feira, quero a agitação ás sextas, quero uma programação de sábado, e uma ressaca aos domingos que me faça querer ver filmes e deitar o dia inteiro.

Viver assim não pode ser tão difícil, terei isso um dia, sair do “conforto” da casa dos pais para viver no meu conforto, o que eu criei, afinal nunca fui de me prender a uma só coisa, é tudo ao mesmo tempo mas talvez não agora, deixo como um plano pro futuro, que talvez esteja mais próximo do que penso...futuro, alguém falou em planejar? Deixo só como um guia, planejar demais a vida faz com que nos esqueçamos de perceber quando o futuro chegou, e quando é hora de colocar todos os planos finalmente em prática,não planejo nada só coloco como talvez um sonho em que um dia vou acordar dentro, já que a vida há de querer assim.

Maria Eduarda Azeredo


Em um mundo onde nada é concreto
Busco uma verdade, sem ser a morte
A unica coisa que se destaca
É essa flor colorida no meio do cinza

Quando eu achar a flor do mundo
Irei libertar meu espírito
E só assim eu poderei voar
Para onde meu extinto quiser

Pedro Alcamand Mota

Você acha que andar no asfalto descalço é duro?
Isso é porque você ainda não caminhou por cacos de vidro
A sua vida está muito desiludida para mim
Acho melhor você parar de fingir que é cego

Você está preso a isso tudo
Você está virando um zumbi
E você está impulsionando tudo ao seu redor
E a cegueira continua crescendo

Pedro Alcamand Mota

segunda-feira, 26 de julho de 2010


Não venha me chamar de mal amado
Não venha me dizer que minha vida está errada
Não venha jogando seus argumentos mal-formados para cima de mim
Pois você é apenas mais um bastardo da vida

E você não sabe
Como é viver
Como é sair dessa bolha
E sentir a vida nos próprios pés descalços

quarta-feira, 14 de julho de 2010


Era uma vez um garoto, que fez uma garotinha desistir de aproveitar tudo em seu tempo, que a fez querer parecer mais velha, quando na verdade era um bebe que precisava de colo, que a fez abandonar tudo, mudar de jeito, pra quem sabe agradar alguém, que não reconheceu isso, e sentiu falta da menina inocente, infantil, a criança que ele conheceu. Então ela se culpou, se culpou por acreditar, por não se dar valor, por se transformar no que não queria ser.

Mas ela ainda o agradece por tela feito crescer, talvez da pior maneira, mas do único jeito…

Pedro Alcamand Mota


Luzes ofuscantes

Sem silêncio, sem paz

Perdido em meio à multidão

Imerso em idéias confusas

Minhas alternativas sufocadas,

Meus pensamentos mudos,

A falta de objetivo

E a aflição em estar sem um caminho para trilhar

Perguntei-me repetidas vezes

“Onde é que estou tentando chegar?”

Andando de um lado para o outro

Dando voltas sem-sentido

Minhas expectativas jaziam a sete palmos

Sob uma busca infinita

Por alguém que me fosse familiar

Mas só encontrei rostos desconhecidos

Em meio à multidão

Tentei te procurar,

Pude te ver, mas não te alcançar

Apenas pude dizer-te palavras soltas ao vento

Diluídas em meio a todo o barulho

Então eu simplesmente

Corri para longe,

Atravessei tudo isso em vão

Estava acompanhado somente pelo desanimo

Mas de passo em passo,

Eu me sentia melhor

Até que eu parei, e disse para mim mesmo:

“Amanhã...”


Pedro Moreira de Oliveira


Sento na calçada, meu cigarro está aceso
Fico pensando, pensando em nada
O tempo corre
E eu continuo na calçada

O vazio aponderou-se de mim
E o ódio subiu a cabeça
Os pensamentos não fluem mais
E a unica coisa que sobra é a desilusão

Pedro Alcamand Mota

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Vamos lá, dê um mergulho,

Você sabe do que estou falando,

O brilhante mundo de plástico

Mas cuidado, ele vem vazio por dentro.

Veja a felicidade à venda,

Ela não está tão longe assim

Compre isso, compre aquilo.

E vamos todos juntos nos afogar na ilusão

Não tenha medo do lobo em pele de cordeiro

O dinheiro vai te proteger, ou talvez te condenar.

Mas no final ele te dá tudo o que você quer

Menos aquilo que você realmente quer.

Esses cifrões encharcados em sangue

São a causa da sua cegueira,

Mas você não se importa,

Desde que consiga suas migalhas no final do mês

Posso comprar-lhe tudo o que se pode tocar

Mas você ficará com um vazio, sempre querendo mais.

Você vai se sufocar na sua avareza

Você vai engasgar-se com seu Ego

Por trás de todas as jóias,

Roupas caras e desconfiança lucrativa

Não há nada...

Lembre-se que lhe disse

A embalagem é brilhante

Mas o conteúdo é vazio


Pedro Moreira de Oliveira

terça-feira, 6 de julho de 2010


Andando vendado sobre cacos de vidro
Indo diretamente para o abismo
Finjo não sentir essa dor
E continuo meu caminho

Vôo em cavalos com asas
E bebo o nectar da esperança
Será que isso já é loucura?
Ou será que estou tentando ser feliz?

Pedro Alcamand Mota


Fotos antigas à minha frente

Todas me são familiares,

Mas quando olho para você nelas

Eu sinto como se eu não te conhecesse mais

Então quase sem querer,

Em um relance olho para o lado

Atingido novamente pelo passado

Sem nenhuma chance de revidar

Será que depois de tudo
A felicidade do ontem

É a tristeza do amanhã?

Tento fugir das lembranças

Mas quanto mais tento correr

Mais eu me aprofundo

Mais eu me perco...

Por que sempre queremos

Que o pra sempre e nunca seja real?

Por que nos fazemos tantas promessas

Que são quebradas como se fossem de vidro?

Promessas que hoje não são nada

Além de cacos de vidro espalhados

Refletindo o antes de tudo,

O antes da saudade...

Olho-me no espelho

Há uma nuvem cinza em minha volta

E vejo para minha imagem,

Acho que não me conheço mais


Pedro Moreira de Oliveira


''Você entrou para uma nova escola, a escola da vida.''

Luisa Marques

quarta-feira, 30 de junho de 2010


Quando os anjos choram?
Quando eles perdem suas asas
Pois eles não as merecem

Será porque que os anjos choram?
Choram como eu choro agora.
Sofrem o mesmo sofrimento que o meu
De cortar o amanhã pra viver o ontem

Ah, o ontem!
Doce e seguro, previsível talvez.
Aprisiono-me em correntes de lembranças
Para mentir à mim mesmo, tentando ser feliz

Enquanto chove, fico pensando nos anjos
Fico pensando em como acudi-los.
Um dia eu irei fazê-los parar de chorar
Quem sabe assim eu morrerei em paz!

Pedro Alcamand Mota - Dedicado à Luiza Alves.

terça-feira, 29 de junho de 2010


"Vamos celebrar.
A estupidez humana.
A estupidez de todas as nações.
O meu país e sua corja de assassinos Covardes,estupradores e ladrões."

Renato Russo

Rosa dos ventos
Não está se sentindo bem aqui?
Festa estranha, gente esquisita
Isso não tá legal, hm?

Sente aqui do meu lado
Pegue uma bebida e curta esse som
A nossa vida está passando rápido demais
E eu continuo falando, sem fazer nada

Somos aqueles que querem jogar, mas nunca perder
Somos aqueles que gostam de usar, mas nunca ser usados
Somo hipócritas, enganadores
Somos seis bilhões de pessoas

Pedro Alcamand Mota

quinta-feira, 24 de junho de 2010


Cortei o amanhã,

Via o sangue jorrar,

A dor era minha amiga,

E o frio minha companhia

Criei mil mentiras, Menti mil coisas

Enganei-me com mil ilusões, Quebrei-me em mil pedaços

Parti mil vezes, Vi você partindo mil vezes

Mil foram as lágrimas que jorraram, e as gotas de sangue.

Com olhos vidrados, respiração oscilando

Corpo doendo e força indo embora

Revirava-me entre lembranças da felicidade passada

Tudo que era bom, se transformou em pedra

Mil lembranças em minha mente,

Mil olhares do passado, mil vezes em que fiquei com medo

Mil medos diferentes, mil vezes em que quis morrer

Mil erros, mil passos em falso, mil vezes que enganei a mim mesmo

Mil vezes em que fui um covarde, um mentiroso, um enganador, um ladrão

Vi o mundo doente pelo meu espelho,

Com meus punhos o fiz em pedaços

Os cacos de vidro caiam sobre mim

Enquanto continuava a pingar gotas vermelhas na pia.

E quando não agüentava mais, caio em terra

Tudo envolta escurecendo, chegou minha hora

Não sei mais o que é comum, não sei mais o que é real

Não sei mais quem sou ou onde estou

E eram mil imagens que surgiram em minha mente

Mil memórias, mil canções, mil visões, mil maneiras diferentes de se ter feito as coisas

Vi minha vida passar mil vezes

E finalmente, tudo cessou, e tudo ficou em paz.


Pedro Moreira de Oliveira


Nesses tempos modernos
Você diz condenar quem fuma
Você diz condenar quem bebe
Você diz condenar quem transa
Ou quem tem desejos maliciosos

Mas você realmente não enxerga
Que você está se condenando
Que você não está vivendo
Como gostaria
Não está sendo feliz...

Sim, isso é ser um falso moralista!

Pedro Alcamand Mota

Minha cova foi cavada
Por mim mesmo
Na verdade, foram duas
Uma para mim e outra para meu coração!

Pedro Alcamand Mota.

segunda-feira, 21 de junho de 2010


Olhavam-se fixamente os apaixonados
Um olhar de desejo estava em cada um;
O amor ali começara a desabrochar!
Coitados, não sabem o que vão sofrer.

Olhavam-se fixamente os dois
Um olhar frio penetrava o outro;
O amor ali havia acabado há tempos
E o ódio parecia predominar em alguns instantes.

Meus olhos observadores fitam o negro
Com a porta fechada, vivo o escuro;
Acho que ele é meu único amigo
Intransigente e depressivo, como sempre!

Pedro Alcamand Mota

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Todos os dias, eu via seu sofrimento
Não sei qual o motivo, mas tudo o que lhe atingia
Machucava-me também
Sinto ter o necessário para parar de fazê-la sofrer,
Mas não consegui nem dar o primeiro passo
Porém, em meio a minhas palavras embaralhadas,
À minhas frases erradas,
E oportunidades não-aproveitadas,
A verdade não mudou, não muda, e acredito que nunca mudará
Pois dentro de mim, você sempre estará...
Mas não adiantou, às vezes, a palavra se cala,
As ações não valem
E o tempo sempre, sempre acaba levando algo embora,
Abrindo abismos, construindo muros e
Matando aos poucos...
Mas depois da tempestade,
Depois da tormenta e do terror
Um fio de luz passa por entre as trevas e ilumina seu rosto
E não obstante, você se levanta, enxuga lágrimas.
E anda em frente, com uma determinação infinita
Mas não se esquece dos bons momentos do passado
E essa esperança,
Nem os medos profundos,
Nem os mais apavorantes demônios
E nem a angústia
Conseguem desfazer

Pedro Moreira de Oliveira

É que às vezes a gente não sabe o que faz
E menino, o homem ainda traz por detrás
Finge ser forte, embora além do porte more tristeza
Sim, tristeza de não ser homem forte
Esse não tem sorte, e só salva a angústia, a morte
Morte é a sorte de quem não encontra o sorriso
Ou que esconde com vergonha o menino.
Ser criança é manter-se na andança do destino.
Ser criança é ter a esperança e uma certeza:
A certeza de ser um eterno menino.

Lucas Julian

Hoje eu vi o céu se partir ao meio
Não entendi o que estava acontecendo
Apontei à meu pai, em prantos
Ele não me disse nada

Ele estava chorando sangue
Minhas mãos estavam suadas
E todos gritavam em volta
Não quero correr como eles

Estou te esperando, mamãe, para me salvar
Estou te esperando aqui, como uma pedra
Estou te esperando aqui, sozinho

Pedro Alcamand Mota

terça-feira, 15 de junho de 2010

Percebi que sozinho, meus poemas não causarão o impacto que quero! Resolvi, pois, convidar algumas pessoas que prezo para começarem a escrever aqui. Assim, vejo que com mais de uma massa pensante, conseguirei mais impacto sobre os que pensam também.
Conversei com um grande amigo, Lucas Boaventura, que se juntou ao Blog a partir de hoje, e pedi para que o mesmo fizesse um texto apresentando-se:

Quando o pequeno Lucas nasceu ele nem sabia quem era aquela menina, quase mulher, que com ternura lhe aconchegava por entre os braços; não suspeitava que aquele moço do cabelo preto seria futuramente o homem com quem ele mais iria se identificar. Ele acabara de nascer, pouco importava o mundo naquele instante, pouco importava o tempo que ele iria viver, o pequeno Lucas não queria saber de nada, ele não tinha nada que tivesse que saber.
Quando o pequeno Lucas começou a entender as palavras, aquela menina que ele nem sabia quem era passou a se chamar Mãe, e o moço, Pai. Foi passado de colo a colo, abraçado, chacoalhado e paparicado, era o primeiro neto tanto do lado paterno quanto materno, não lhe davam paz, e na verdade ele nem precisava dela.
Tornou-se criança, dominou a sincronia dos passos para que pudesse caminhar, andou pelas letras e por elas se apaixonou, juntou-as num emaranhado de novas palavras e assim se fez leitor. Aprendeu que repolho não era macarrão, e que escalar em árvores era apenas uma questão de treino. Nesse tempo ele aprendeu a imaginar, foi o mais forte super-herói, o mais habilidoso jogador de futebol, ele foi puro. Buscou respostas para tudo sem saber que quase nada podia ser respondido, sentiu então algo que só mais tarde ele saberia o nome: angustia. Percebeu que o corpo muda, a voz engrossa e cabelos aparecem nos lugares mais estranhos, entrou na adolescência.
O jovem Lucas começou a perceber o mundo, a entender as coisas e a desentendê-las em seguida, filosofou, escreveu, deu uma de poeta. Ele queria palavrear aquilo que acontecia dentro dele, fracassou. Foi incoerente, egocêntrico, contraditório e infantil, na verdade ele não sabia de fato o que ele próprio era, se criança ou adulto. Teve que lidar com a obrigação, quase nunca obteve sucesso, pensou em ser juiz, político e até arquiteto ele quis ser. Fez amigos, perdeu outros, e entendeu que nada é para sempre, que algumas pessoas vão embora sem que possamos fazer algo e outras nos acompanham fielmente até o fim. Nessa época ele entendeu que morrer era uma grande metáfora. Foi andando, pensando, cantando, e enfim deu de cara com aquela pessoa que o destino nos trás, a única capaz de mexer no coração, e dominar nosso amor, o pequeno Lucas se fez grande no momento em que te encontrou.

Lucas Julian

Nossas taças de cristal estão cheias de vinho barato
Nosso organismo está cheio de álcool e tabaco
Estamos comemorando a doce ironia
Rindo da vida que passa

E os pensamentos de quem sabe pensar estão fluindo
Começamos a acreditar no inacreditável
E ninguém mais está entendendo o que eu estou falando
Vamos continuar bebendo, anoto isso e conversamos depois!

Pedro Alcamand Mota

Levantar-me-ei no equinócio de inverno
Para ver as flores murcharem
Esse cheiro de mudança me agrada
Mas isso já não é monotonia?

Vou mudar-me
De cidade, de planeta, talvez de vida
Começarei um novo negócio:
Vender sonhos em troca de sorrisos

Pedro Alcamand Mota

segunda-feira, 14 de junho de 2010


Me sinto aqui, fisicamente
Mas minha alma plana em terras longínquas,
Pensando em palavras que nunca sairão
Quem sabe um dia aquele sonhador não consiga ver a verdade?
Ou aquele que saiba a verdade não consiga sonhar?

Pedro Alcamand Mota

A chave do seu coração dilacerou sobre meu peito
E transformou tudo aquilo em cinzas
Mas não me importo com isso e aquilo
Aliás! as Fênix renascem das cinzas, não é mesmo?

Pedro Alcamand Mota

Verei-te, coração, em chamas perto da lareira da sala
Não chores mais, tudo já passou
Viveremos como caçadores
Em busca de uma nova vida

Pedro Alcamand Mota