terça-feira, 15 de junho de 2010

Percebi que sozinho, meus poemas não causarão o impacto que quero! Resolvi, pois, convidar algumas pessoas que prezo para começarem a escrever aqui. Assim, vejo que com mais de uma massa pensante, conseguirei mais impacto sobre os que pensam também.
Conversei com um grande amigo, Lucas Boaventura, que se juntou ao Blog a partir de hoje, e pedi para que o mesmo fizesse um texto apresentando-se:

Quando o pequeno Lucas nasceu ele nem sabia quem era aquela menina, quase mulher, que com ternura lhe aconchegava por entre os braços; não suspeitava que aquele moço do cabelo preto seria futuramente o homem com quem ele mais iria se identificar. Ele acabara de nascer, pouco importava o mundo naquele instante, pouco importava o tempo que ele iria viver, o pequeno Lucas não queria saber de nada, ele não tinha nada que tivesse que saber.
Quando o pequeno Lucas começou a entender as palavras, aquela menina que ele nem sabia quem era passou a se chamar Mãe, e o moço, Pai. Foi passado de colo a colo, abraçado, chacoalhado e paparicado, era o primeiro neto tanto do lado paterno quanto materno, não lhe davam paz, e na verdade ele nem precisava dela.
Tornou-se criança, dominou a sincronia dos passos para que pudesse caminhar, andou pelas letras e por elas se apaixonou, juntou-as num emaranhado de novas palavras e assim se fez leitor. Aprendeu que repolho não era macarrão, e que escalar em árvores era apenas uma questão de treino. Nesse tempo ele aprendeu a imaginar, foi o mais forte super-herói, o mais habilidoso jogador de futebol, ele foi puro. Buscou respostas para tudo sem saber que quase nada podia ser respondido, sentiu então algo que só mais tarde ele saberia o nome: angustia. Percebeu que o corpo muda, a voz engrossa e cabelos aparecem nos lugares mais estranhos, entrou na adolescência.
O jovem Lucas começou a perceber o mundo, a entender as coisas e a desentendê-las em seguida, filosofou, escreveu, deu uma de poeta. Ele queria palavrear aquilo que acontecia dentro dele, fracassou. Foi incoerente, egocêntrico, contraditório e infantil, na verdade ele não sabia de fato o que ele próprio era, se criança ou adulto. Teve que lidar com a obrigação, quase nunca obteve sucesso, pensou em ser juiz, político e até arquiteto ele quis ser. Fez amigos, perdeu outros, e entendeu que nada é para sempre, que algumas pessoas vão embora sem que possamos fazer algo e outras nos acompanham fielmente até o fim. Nessa época ele entendeu que morrer era uma grande metáfora. Foi andando, pensando, cantando, e enfim deu de cara com aquela pessoa que o destino nos trás, a única capaz de mexer no coração, e dominar nosso amor, o pequeno Lucas se fez grande no momento em que te encontrou.

Lucas Julian

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