Cortei o amanhã,
Via o sangue jorrar,
A dor era minha amiga,
E o frio minha companhia
Criei mil mentiras, Menti mil coisas
Enganei-me com mil ilusões, Quebrei-me em mil pedaços
Parti mil vezes, Vi você partindo mil vezes
Mil foram as lágrimas que jorraram, e as gotas de sangue.
Com olhos vidrados, respiração oscilando
Corpo doendo e força indo embora
Revirava-me entre lembranças da felicidade passada
Tudo que era bom, se transformou em pedra
Mil lembranças em minha mente,
Mil olhares do passado, mil vezes em que fiquei com medo
Mil medos diferentes, mil vezes em que quis morrer
Mil erros, mil passos em falso, mil vezes que enganei a mim mesmo
Mil vezes em que fui um covarde, um mentiroso, um enganador, um ladrão
Vi o mundo doente pelo meu espelho,
Com meus punhos o fiz em pedaços
Os cacos de vidro caiam sobre mim
Enquanto continuava a pingar gotas vermelhas na pia.
E quando não agüentava mais, caio em terra
Tudo envolta escurecendo, chegou minha hora
Não sei mais o que é comum, não sei mais o que é real
Não sei mais quem sou ou onde estou
E eram mil imagens que surgiram em minha mente
Mil memórias, mil canções, mil visões, mil maneiras diferentes de se ter feito as coisas
Vi minha vida passar mil vezes
E finalmente, tudo cessou, e tudo ficou em paz.
Pedro Moreira de Oliveira
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