quarta-feira, 30 de junho de 2010
terça-feira, 29 de junho de 2010
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Cortei o amanhã,
Via o sangue jorrar,
A dor era minha amiga,
E o frio minha companhia
Criei mil mentiras, Menti mil coisas
Enganei-me com mil ilusões, Quebrei-me em mil pedaços
Parti mil vezes, Vi você partindo mil vezes
Mil foram as lágrimas que jorraram, e as gotas de sangue.
Com olhos vidrados, respiração oscilando
Corpo doendo e força indo embora
Revirava-me entre lembranças da felicidade passada
Tudo que era bom, se transformou em pedra
Mil lembranças em minha mente,
Mil olhares do passado, mil vezes em que fiquei com medo
Mil medos diferentes, mil vezes em que quis morrer
Mil erros, mil passos em falso, mil vezes que enganei a mim mesmo
Mil vezes em que fui um covarde, um mentiroso, um enganador, um ladrão
Vi o mundo doente pelo meu espelho,
Com meus punhos o fiz em pedaços
Os cacos de vidro caiam sobre mim
Enquanto continuava a pingar gotas vermelhas na pia.
E quando não agüentava mais, caio em terra
Tudo envolta escurecendo, chegou minha hora
Não sei mais o que é comum, não sei mais o que é real
Não sei mais quem sou ou onde estou
E eram mil imagens que surgiram em minha mente
Mil memórias, mil canções, mil visões, mil maneiras diferentes de se ter feito as coisas
Vi minha vida passar mil vezes
E finalmente, tudo cessou, e tudo ficou em paz.
Pedro Moreira de Oliveira
segunda-feira, 21 de junho de 2010
quinta-feira, 17 de junho de 2010
E menino, o homem ainda traz por detrás
Finge ser forte, embora além do porte more tristeza
Sim, tristeza de não ser homem forte
Esse não tem sorte, e só salva a angústia, a morte
Morte é a sorte de quem não encontra o sorriso
Ou que esconde com vergonha o menino.
Ser criança é manter-se na andança do destino.
Ser criança é ter a esperança e uma certeza:
A certeza de ser um eterno menino.
terça-feira, 15 de junho de 2010
Quando o pequeno Lucas começou a entender as palavras, aquela menina que ele nem sabia quem era passou a se chamar Mãe, e o moço, Pai. Foi passado de colo a colo, abraçado, chacoalhado e paparicado, era o primeiro neto tanto do lado paterno quanto materno, não lhe davam paz, e na verdade ele nem precisava dela.
Tornou-se criança, dominou a sincronia dos passos para que pudesse caminhar, andou pelas letras e por elas se apaixonou, juntou-as num emaranhado de novas palavras e assim se fez leitor. Aprendeu que repolho não era macarrão, e que escalar em árvores era apenas uma questão de treino. Nesse tempo ele aprendeu a imaginar, foi o mais forte super-herói, o mais habilidoso jogador de futebol, ele foi puro. Buscou respostas para tudo sem saber que quase nada podia ser respondido, sentiu então algo que só mais tarde ele saberia o nome: angustia. Percebeu que o corpo muda, a voz engrossa e cabelos aparecem nos lugares mais estranhos, entrou na adolescência.
O jovem Lucas começou a perceber o mundo, a entender as coisas e a desentendê-las em seguida, filosofou, escreveu, deu uma de poeta. Ele queria palavrear aquilo que acontecia dentro dele, fracassou. Foi incoerente, egocêntrico, contraditório e infantil, na verdade ele não sabia de fato o que ele próprio era, se criança ou adulto. Teve que lidar com a obrigação, quase nunca obteve sucesso, pensou em ser juiz, político e até arquiteto ele quis ser. Fez amigos, perdeu outros, e entendeu que nada é para sempre, que algumas pessoas vão embora sem que possamos fazer algo e outras nos acompanham fielmente até o fim. Nessa época ele entendeu que morrer era uma grande metáfora. Foi andando, pensando, cantando, e enfim deu de cara com aquela pessoa que o destino nos trás, a única capaz de mexer no coração, e dominar nosso amor, o pequeno Lucas se fez grande no momento em que te encontrou.