quarta-feira, 30 de junho de 2010


Quando os anjos choram?
Quando eles perdem suas asas
Pois eles não as merecem

Será porque que os anjos choram?
Choram como eu choro agora.
Sofrem o mesmo sofrimento que o meu
De cortar o amanhã pra viver o ontem

Ah, o ontem!
Doce e seguro, previsível talvez.
Aprisiono-me em correntes de lembranças
Para mentir à mim mesmo, tentando ser feliz

Enquanto chove, fico pensando nos anjos
Fico pensando em como acudi-los.
Um dia eu irei fazê-los parar de chorar
Quem sabe assim eu morrerei em paz!

Pedro Alcamand Mota - Dedicado à Luiza Alves.

terça-feira, 29 de junho de 2010


"Vamos celebrar.
A estupidez humana.
A estupidez de todas as nações.
O meu país e sua corja de assassinos Covardes,estupradores e ladrões."

Renato Russo

Rosa dos ventos
Não está se sentindo bem aqui?
Festa estranha, gente esquisita
Isso não tá legal, hm?

Sente aqui do meu lado
Pegue uma bebida e curta esse som
A nossa vida está passando rápido demais
E eu continuo falando, sem fazer nada

Somos aqueles que querem jogar, mas nunca perder
Somos aqueles que gostam de usar, mas nunca ser usados
Somo hipócritas, enganadores
Somos seis bilhões de pessoas

Pedro Alcamand Mota

quinta-feira, 24 de junho de 2010


Cortei o amanhã,

Via o sangue jorrar,

A dor era minha amiga,

E o frio minha companhia

Criei mil mentiras, Menti mil coisas

Enganei-me com mil ilusões, Quebrei-me em mil pedaços

Parti mil vezes, Vi você partindo mil vezes

Mil foram as lágrimas que jorraram, e as gotas de sangue.

Com olhos vidrados, respiração oscilando

Corpo doendo e força indo embora

Revirava-me entre lembranças da felicidade passada

Tudo que era bom, se transformou em pedra

Mil lembranças em minha mente,

Mil olhares do passado, mil vezes em que fiquei com medo

Mil medos diferentes, mil vezes em que quis morrer

Mil erros, mil passos em falso, mil vezes que enganei a mim mesmo

Mil vezes em que fui um covarde, um mentiroso, um enganador, um ladrão

Vi o mundo doente pelo meu espelho,

Com meus punhos o fiz em pedaços

Os cacos de vidro caiam sobre mim

Enquanto continuava a pingar gotas vermelhas na pia.

E quando não agüentava mais, caio em terra

Tudo envolta escurecendo, chegou minha hora

Não sei mais o que é comum, não sei mais o que é real

Não sei mais quem sou ou onde estou

E eram mil imagens que surgiram em minha mente

Mil memórias, mil canções, mil visões, mil maneiras diferentes de se ter feito as coisas

Vi minha vida passar mil vezes

E finalmente, tudo cessou, e tudo ficou em paz.


Pedro Moreira de Oliveira


Nesses tempos modernos
Você diz condenar quem fuma
Você diz condenar quem bebe
Você diz condenar quem transa
Ou quem tem desejos maliciosos

Mas você realmente não enxerga
Que você está se condenando
Que você não está vivendo
Como gostaria
Não está sendo feliz...

Sim, isso é ser um falso moralista!

Pedro Alcamand Mota

Minha cova foi cavada
Por mim mesmo
Na verdade, foram duas
Uma para mim e outra para meu coração!

Pedro Alcamand Mota.

segunda-feira, 21 de junho de 2010


Olhavam-se fixamente os apaixonados
Um olhar de desejo estava em cada um;
O amor ali começara a desabrochar!
Coitados, não sabem o que vão sofrer.

Olhavam-se fixamente os dois
Um olhar frio penetrava o outro;
O amor ali havia acabado há tempos
E o ódio parecia predominar em alguns instantes.

Meus olhos observadores fitam o negro
Com a porta fechada, vivo o escuro;
Acho que ele é meu único amigo
Intransigente e depressivo, como sempre!

Pedro Alcamand Mota

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Todos os dias, eu via seu sofrimento
Não sei qual o motivo, mas tudo o que lhe atingia
Machucava-me também
Sinto ter o necessário para parar de fazê-la sofrer,
Mas não consegui nem dar o primeiro passo
Porém, em meio a minhas palavras embaralhadas,
À minhas frases erradas,
E oportunidades não-aproveitadas,
A verdade não mudou, não muda, e acredito que nunca mudará
Pois dentro de mim, você sempre estará...
Mas não adiantou, às vezes, a palavra se cala,
As ações não valem
E o tempo sempre, sempre acaba levando algo embora,
Abrindo abismos, construindo muros e
Matando aos poucos...
Mas depois da tempestade,
Depois da tormenta e do terror
Um fio de luz passa por entre as trevas e ilumina seu rosto
E não obstante, você se levanta, enxuga lágrimas.
E anda em frente, com uma determinação infinita
Mas não se esquece dos bons momentos do passado
E essa esperança,
Nem os medos profundos,
Nem os mais apavorantes demônios
E nem a angústia
Conseguem desfazer

Pedro Moreira de Oliveira

É que às vezes a gente não sabe o que faz
E menino, o homem ainda traz por detrás
Finge ser forte, embora além do porte more tristeza
Sim, tristeza de não ser homem forte
Esse não tem sorte, e só salva a angústia, a morte
Morte é a sorte de quem não encontra o sorriso
Ou que esconde com vergonha o menino.
Ser criança é manter-se na andança do destino.
Ser criança é ter a esperança e uma certeza:
A certeza de ser um eterno menino.

Lucas Julian

Hoje eu vi o céu se partir ao meio
Não entendi o que estava acontecendo
Apontei à meu pai, em prantos
Ele não me disse nada

Ele estava chorando sangue
Minhas mãos estavam suadas
E todos gritavam em volta
Não quero correr como eles

Estou te esperando, mamãe, para me salvar
Estou te esperando aqui, como uma pedra
Estou te esperando aqui, sozinho

Pedro Alcamand Mota

terça-feira, 15 de junho de 2010

Percebi que sozinho, meus poemas não causarão o impacto que quero! Resolvi, pois, convidar algumas pessoas que prezo para começarem a escrever aqui. Assim, vejo que com mais de uma massa pensante, conseguirei mais impacto sobre os que pensam também.
Conversei com um grande amigo, Lucas Boaventura, que se juntou ao Blog a partir de hoje, e pedi para que o mesmo fizesse um texto apresentando-se:

Quando o pequeno Lucas nasceu ele nem sabia quem era aquela menina, quase mulher, que com ternura lhe aconchegava por entre os braços; não suspeitava que aquele moço do cabelo preto seria futuramente o homem com quem ele mais iria se identificar. Ele acabara de nascer, pouco importava o mundo naquele instante, pouco importava o tempo que ele iria viver, o pequeno Lucas não queria saber de nada, ele não tinha nada que tivesse que saber.
Quando o pequeno Lucas começou a entender as palavras, aquela menina que ele nem sabia quem era passou a se chamar Mãe, e o moço, Pai. Foi passado de colo a colo, abraçado, chacoalhado e paparicado, era o primeiro neto tanto do lado paterno quanto materno, não lhe davam paz, e na verdade ele nem precisava dela.
Tornou-se criança, dominou a sincronia dos passos para que pudesse caminhar, andou pelas letras e por elas se apaixonou, juntou-as num emaranhado de novas palavras e assim se fez leitor. Aprendeu que repolho não era macarrão, e que escalar em árvores era apenas uma questão de treino. Nesse tempo ele aprendeu a imaginar, foi o mais forte super-herói, o mais habilidoso jogador de futebol, ele foi puro. Buscou respostas para tudo sem saber que quase nada podia ser respondido, sentiu então algo que só mais tarde ele saberia o nome: angustia. Percebeu que o corpo muda, a voz engrossa e cabelos aparecem nos lugares mais estranhos, entrou na adolescência.
O jovem Lucas começou a perceber o mundo, a entender as coisas e a desentendê-las em seguida, filosofou, escreveu, deu uma de poeta. Ele queria palavrear aquilo que acontecia dentro dele, fracassou. Foi incoerente, egocêntrico, contraditório e infantil, na verdade ele não sabia de fato o que ele próprio era, se criança ou adulto. Teve que lidar com a obrigação, quase nunca obteve sucesso, pensou em ser juiz, político e até arquiteto ele quis ser. Fez amigos, perdeu outros, e entendeu que nada é para sempre, que algumas pessoas vão embora sem que possamos fazer algo e outras nos acompanham fielmente até o fim. Nessa época ele entendeu que morrer era uma grande metáfora. Foi andando, pensando, cantando, e enfim deu de cara com aquela pessoa que o destino nos trás, a única capaz de mexer no coração, e dominar nosso amor, o pequeno Lucas se fez grande no momento em que te encontrou.

Lucas Julian

Nossas taças de cristal estão cheias de vinho barato
Nosso organismo está cheio de álcool e tabaco
Estamos comemorando a doce ironia
Rindo da vida que passa

E os pensamentos de quem sabe pensar estão fluindo
Começamos a acreditar no inacreditável
E ninguém mais está entendendo o que eu estou falando
Vamos continuar bebendo, anoto isso e conversamos depois!

Pedro Alcamand Mota

Levantar-me-ei no equinócio de inverno
Para ver as flores murcharem
Esse cheiro de mudança me agrada
Mas isso já não é monotonia?

Vou mudar-me
De cidade, de planeta, talvez de vida
Começarei um novo negócio:
Vender sonhos em troca de sorrisos

Pedro Alcamand Mota

segunda-feira, 14 de junho de 2010


Me sinto aqui, fisicamente
Mas minha alma plana em terras longínquas,
Pensando em palavras que nunca sairão
Quem sabe um dia aquele sonhador não consiga ver a verdade?
Ou aquele que saiba a verdade não consiga sonhar?

Pedro Alcamand Mota

A chave do seu coração dilacerou sobre meu peito
E transformou tudo aquilo em cinzas
Mas não me importo com isso e aquilo
Aliás! as Fênix renascem das cinzas, não é mesmo?

Pedro Alcamand Mota

Verei-te, coração, em chamas perto da lareira da sala
Não chores mais, tudo já passou
Viveremos como caçadores
Em busca de uma nova vida

Pedro Alcamand Mota