terça-feira, 31 de agosto de 2010
É uma coisa que dói em minh’alma
Não posso mais ser quem eu era
Não posso agir como eu sou
Andando vendado sobre cacos de vidro
Indo diretamente para o abismo
Finjo não sentir essa dor
E continuo meu caminho
Vou continuar sendo eu mesmo
Vou continuar sendo forte
Vivendo nesses dias selvagens
Com um sorriso no rosto.
Pedro Alcamand Mota.
domingo, 29 de agosto de 2010
domingo, 22 de agosto de 2010
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Duas caras de um mesmo amor
Ele queria um paletó caqui, ela um longo vermelho de um estilista caro. Na verdade, o que ele queria mesmo era o status que aquele paletó o dava. Um ar de senhor importante, mesmo não tendo nem onde cair morto! Gostava de Bossa Nova publicamente, mas sozinho preferia um Tango de Gardel. Torcia mais contra o Félix Esporte Clube que a favor do seu tão amado Regione, torcedor de assiduidade comprovada. Assim era sua vida, uma grande mentira. Um mundo que criara para tentar mostrar o que queria ser quando era pequeno, quando sonhava.
Pediu a mãe que fechasse seu espartilho no máximo, suspirou e prendeu o ar fundo, fez um "vai"com a mão. Pegou um channel de bico fino, lindo, ela pensou. Pegou o chapéu, ela desceu as escadas. Tirou a chave e o relógio de bolso, ela acenou um tchau e mandou um beijo. Olhou as horas e abriu a porta, ela abriu a porta do taxi e entregou um papel ao motorista: "Alameda dos Tupiniquins - 480". Entrou no ônibus com o mesmo destino dela, chegaram juntos.
Rapidamente a moça já estava situada em uma grande sala. O homem havia ficado na rua, degustando seu cigarro, como sempre fazia antes de subir os dois lances de escada.
Por "Erros do Coração" Bette Davis entrou em cena antes dele. A crise da atriz no filme era a mesma da, igualmente atriz, na platéia. Uma fingia ser frente as câmeras e a outra, frente ao espelho. Ele surgiu, ninguém viu. Sentou e ajeitou o quadril na cadeira, olhou pro lado e a viu. O homem reparou a elegante beleza que a mulher propunha para todos. Aqueles cabelos sedosos e aquela boca carnuda faziam com que qualquer homem se apaixonasse. Ele sabia que tudo naquela moça era de verdade e que, com aquele olhar de angústia, ele a invejava com todas as suas forças. Bebeu todas que conseguiu, e as que não desceram, cuspiu. Ficou ali entre a mulher e o copo, optou pelo segundo.
A manhã seguinte não foi muito agradável. Sua cabeça estava doendo muito e a obra que estavam fazendo na frente de sua casa não ajudava em nada. Tomou uns dois ou três comprimidos de um remédio para aliviar sua ressaca. Não funcionou. Naquele dia, o homem ficou deitado o tempo inteiro tentando lembrar do que havia feito na noite passada. Ela levantou bem disposta e bem vestida: camisola de seda, pantufas e um cigarro no caminho para a cozinha. Tomou seu café, pão e leite, como fosse um manjar matutino. Lembrou do homem.
Durante os próximos dias, o homem não saiu de casa. Ficou deitado na mesma posição que estava no dia da ressaca, pensando na linda mulher que vira. Não conseguia deixar de lembrar daquele olhar de canto, meio de despreso, que havia recebido pela mulher. ''Aqueles olhos atiraram em mim como um fuzil'', pensou o homem enquanto fumava. Ela ligou a vritola e colocou Ponteio, com Edu Lobo e Marilia Medalha, cantou com a alma. Ele, deitado.
O homem se revoltou, esclareceu umas poucas e boas com o seu reflexo, gritou tudo o que tinha para gritar e xingou tudo o que tinha para xingar. Depois pegou sua caixa de charutos cubanos retirou um e o acendeu, acalmou-se. Decidiu que o silêncio interno lhe bastava, arrumou meia duzia de palavras, decorou-as e saiu. Saiu de si e de casa, foi. A moça ficou em casa, ouvindo seus LP's olhando as núvens de sua janela. Ela também saiu, sumiu de sua cabeça e foi para outro mundo, um mundo onde esqueceria daqueles olhos angustiados.
A complexidade de um vazio é a entrada de um grão, ambos sabiam. Ambos temiam. Ambos não sabiam amar, não quiseram aprender. Preferiram viver uma vida de solidão e apatia.
Aconteceu que num domingo qualquer ele foi ao parque, ela também. Ele levou um rádio de pilha, ela um livro de Capote. Os dois sentaram na mesma arvore, um de cada lado. O homem ligou seu rádio e a mulher abriu seu livro. O som a incomodou, e foi por isso que eles se encontraram, embora ja tivessem se visto. A moça, um pouco agressiva, foi até o outro lado da arvore e reclamou do barulho que não a deixava ler. O homem ficou sem palávras.
As partes se defaziam pelo todo, estavam entregues. A mulher ficou encarando o homem que não falava nada. Ela não parava de olhar nos olhos dele, olhos de angustia. E ele continuou espantado, sem falar nada. Ela acabou sentando do lado dele. Afinal, o amor é passível de sentido?
Pedro Alcamand Mota e Lucas Boaventura
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Onde a morte vai brincar
Na verdade ele não sabia ao certo o que pensar, sua cabeça girava em órbita enquanto fixava, inerte, o olhar numa folha impressa. A impressão era de que a vida daquele homem havia partido, mas seu coração mantinha, pulsante, o sangue que aquecia seu corpo, frio. Todos os amores, todas paixões, todas transas casuais, todos beijos, todas carícias, tudo passava em seqüência frenética na sua frente. Sua vida já não era passível de sentido, acabou tudo ali, naquelas letras, naquele sangue. A morte-viva que consumia todos os poros do seu corpo, compunha uma caminhada longa e penosa diante da dura amargura do arrependimento.
Ergueu como pôde os olhos, dobrou com cuidado o papel e o guardou no bolso, seguiu. Mas seguir pra onde quando tudo se acaba? A pergunta moldava suas feições: quantas horas, dias ou vidas, dentro desta mesma vida, seriam necessárias para absorver tudo aquilo. Não seriam absorvidas, ele sabia, ele temia, ele chorava. Tirou do bolso um maço, pegou um fino cigarro e o acendeu. Tragou uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove vezes e o jogou fora. Oscilou entre uma nova baixada de cabeça e um telefonema. Optou pelo segundo. Rapidamente o celular já estava em sua mão, o mundo em uma ligação. Ligou. “Alô, a Fernanda está?”, sua voz fria encobria de pura angústia as ondas de voz que dali saíam. Do outro lado da linha, a resposta foi rápida: “Fernanda só sai do serviço as nove e meia, ainda são sete”. Agradeceu e desligou. Verificou a hora e decidiu ir ao encontro da mulher, foi.
Entrou no primeiro ônibus que parou, andaria o que fosse preciso, precisava andar. Ficou de pé logo a frente da porta, olhava cada pessoa que passava pela janela fixamente, desesperadamente. Desceu correndo poucos quarteirões depois, com as mãos na cabeça como num grito de “por quê?”. O celular tocou, era ela. Atendeu com prontidão, embora sua voz desmentisse a euforia que interpretava. Tentou disfarçar a dor, mas o alô já saiu tremido com a lágrimas que, compulsivamente, começaram a brotar. Fernanda entendeu a gravidade da ligação, perguntou onde ele estava e mandou que a esperasse, chegaria o mais rápido possível. E chegou.
Correu por quadras e mais quadras, atravessou dois bairros daquela grande cidade, tudo para fazê-lo sorrir. Virou a esquina da rua Sete de Setembro e o encontrou ali, sentado, petrificado. Colocou um casaco vermelho que sua avó havia feito, sobre os ombros do homem como num abraço simbólico de piedade. Perguntou o que houve, mas por ora a resposta veio líquida.
“Vê...”, ele disse, enquanto esticava o braço para entregar o papel à mulher. Ela leu, sacudiu a cabeça negativamente e exclamou um não, só. Só um não para dispersar toda a dor daquilo, toda morte, raiva, desgosto, perda, enfim tudo que implicava a leitura daquilo. Ela ficou de pé, olhou dentro dos vazios dele e virou. Caminhou, voltou, caminhou, voltou. Sentou, pensou, levantou. “Eles devem ter errado!”, “dizem que esse exame pode dar positivo em algumas pessoas saudáveis...”, desistiu. Acontece que não havia o que falar, era como se tudo tivesse acabado, e realmente acabou. No alto de seus mais altos saltos, ela esfriou o olhar. Se há magia nesse mundo, aquele foi um feitiço de retirada de alma. Um sim no papel, representava um não ao destino. O amor morreria ali, junto à piedade dela e a dor dele. Foi velado em uma rua vazia, por dois corpos vazios
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Lucas Boaventura
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Conte seus problemas,
Eu tenho certeza que te entenderei
Diga-me o que te aflige
Acho que sei o que você pode fazer
Deixe-me segurá-lo entre meus braços,
Aqui você estará seguro, nada te atingirá
Esqueça de seus medos,
E ouça o que te digo com atenção
Não se preocupe com o frio,
Ele é passageiro, ele é inexistente
Ouça o som do silêncio
Calmo e caótico ao mesmo tempo
Não há ninguém aqui...
Responda-me, por que tão surpreso ao saber disso?
Por que acha tão diferente esse vazio do seu lado?
Por que pensou que alguém estaria lá todo o tempo?
E por último: Se ninguém está aí, com quem você está falando?
Deixe-me responder, eu sou o único que pode te dizer o que fazer,
Eu sou o único que estará do seu lado, que chorarei com sua tristeza,
E que vai rir com você na alegria. Eu que te aliviarei de toda a solidão.
Eu sou... Você
Pedro Moreira de Oliveira
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
sábado, 14 de agosto de 2010
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Enemies of the routine
Não faço questão de uma vida complicada, de ter que viver fazendo coisas para os outros e esquecendo de mim, desde que eu tenha um lugar para que eu possa, depois de um dia inteiro de aderir ás exigências deste mundo, descansar, ler meus livros, ouvir um pouco de música, pensar e escrever já irei me satisfazer.
Acredito que se eu não tiver o meu momento diário, um momento de parar pra pensar na vida complicada em que todos nós vivemos ficarei irreconhecível, serei mais uma daquelas que já não vive, simplesmente existe e não para pra pensar quando foi a última vez que realmente se divertiu.
Quero ter meu apartamento, música boa um bom caderno e nada mais no fim do dia. Querer viver sozinha pode parecer que tento me esconder, não quero me esconder, quero me ausentar do mundo por instantes, esquecer das pessoas, esquecer da vida e pensar em coisas que irão me fazer rir sozinha... quero ler aquela história e poder me imaginar dentro dela facilmente,vestir uma camiseta velha e comer chocolate vendo meu filme favorito, julgar clipes, comentários, fotos, frases,vídeos, artigos, histórias, matérias, jeitos alheios sem ninguém ao meu lado para direcionar meu julgamento, ou para fazer com que eu tenha medo de dizê-lo.
Não serei uma eterna sedentária, não ficarei até os fins dos meus dias fazendo apenas aquilo que me dá prazer já que infelizmente ou felizmente existe vida por trás de sonho, e vida exige responsabilidades e obrigações que muitas vezes não queremos nem pensar em fazer.Terei um trabalho que me estimule a estar sempre vendo coisas novas, sempre ao lado de novas teorias, sempre criando e vendo alguém criar, para que no fim do dia eu também possa dizer que faço muito bem o que eu faço.
Não quero viver de rotina, rotina é para aqueles que fazem planos demais, para quem não sabe viver sem uma agenda, já nem quero ver planos pra mim feito pelos outros, quero escolher, quero ter o poder de me ditar o que será feito no dia, quero dormir sabendo que fiz o que quis e o que me propus desde o começo.
Viver do que ganho, não querer empréstimos, dirigir até um lugar desconhecido, planejar viagens de um dia para o outro, ter uma roupa para cada dia, ter meus vícios mais saber variá-los...
Ao mesmo tempo em que quero a tranqüilidade depois de uma segunda-feira, quero a agitação ás sextas, quero uma programação de sábado, e uma ressaca aos domingos que me faça querer ver filmes e deitar o dia inteiro.
Viver assim não pode ser tão difícil, terei isso um dia, sair do “conforto” da casa dos pais para viver no meu conforto, o que eu criei, afinal nunca fui de me prender a uma só coisa, é tudo ao mesmo tempo mas talvez não agora, deixo como um plano pro futuro, que talvez esteja mais próximo do que penso...futuro, alguém falou em planejar? Deixo só como um guia, planejar demais a vida faz com que nos esqueçamos de perceber quando o futuro chegou, e quando é hora de colocar todos os planos finalmente em prática,não planejo nada só coloco como talvez um sonho em que um dia vou acordar dentro, já que a vida há de querer assim.
Maria Eduarda Azeredo